Situada em Bom Despacho, numa invasão próxima ao terminal do ferryboat, esta creche tem, atualmente, 29 moradores, crianças órfãs entre três meses e 15 anos. Para sobreviverem, elas dependem de doações da comunidade e dos cuidados de Dona Nilzete, fundadora da creche.
“A maioria dos pais dessas crianças está nos presídios ou são dependentes químicos. Algumas mães sofrem de distúrbios mentais também”, explica Dona Nilzete. Ela conta ainda que, durante o dia, muitos pais deixam suas crianças aos seus cuidados enquanto vão trabalhar e não têm condições de ajudar com o que é necessário para manter a instituição nas condições necessárias.
Conforme relatam as colaboradoras da Pró-Mar que foram entregar os alimentos, as condições do lar são bastante precárias. “Há muita umidade nas paredes, mofo, rachaduras nas paredes, instalações elétricas expostas, poucas portas e janelas, algumas só têm pedaços de madeiras. A entrada da casa nem tem telhado”, descreve a bióloga Bárbara Pinheiro. Ela conta ainda que a creche também enfrenta problemas no abastecimento de água.
Apesar de todas essas dificuldades, Dona Nilzete garante que todas as crianças em idade escolar freqüentam colégios públicos da região para terem uma chance de viver melhor. Inclusive, as doações recebidas partem, principalmente, de adultos que um dia moraram no lar, como um soldado do exército que doa alimentos, roupas e medicamentos, e dos três filhos da fundadora, já formados, que moram em Salvador e no Rio de Janeiro.
O carinho e respeito por aquela que um dia a ajudou foram os motivos que levaram Dona Nilzete a fundar a creche. “Fui adotada por uma tia que se chamava Maria da Glória, por isso botei esse nome na creche”, conta. Esse mesmo nome foi dado a menina que foi entregue pelos pais a “mãe” Nilzete quando nasceu, por ter uma formação deficiente da face (mandíbula, palato e nariz).
“Abençoada”, essa menina foi escolhida pela equipe de cirurgia do renomado cirurgião plástico Dr. Ivo Pitanguy e foi ao Rio de Janeiro fazer uma cirurgia de reconstituição da face. Hoje, aos 9 anos, Maria da Glória é uma menina alegre e vaidosa, sem a sombra do preconceito que sofria antes de fazer a cirurgia há quatro anos.
O Lar Maria da Glória não tem telefone de contato, por isso, a Pró-Mar se disponibiliza a orientar as pessoas que queiram ajudá-lo.
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